Lago do Gadanha

Quando, em 1688, o Rossio de São Brás vê surgir um majestoso lago e fonte que, segundo fontes do século XVIII, era capaz de “saciar a sede de todo o nosso exercito.”, Estremoz não poderia imaginar que este se tornaria um dos seus ex libris.

Mandado construir pelo Senado de Estremoz, aproveita uma das mais importantes nascentes da zona baixa da cidade que se encontra no extremo Sudoeste do Rossio Marquês de Pombal, a nascente da Fonte Nova.

O imponente lago, de cerca de 40 metros de comprimento, é abastecido por um canal subterrâneo que atravessa todo o Rossio Marquês de Pombal que vem desembocar numa concha em mármor

A conhecida estátua do “Gadanha”, da mesma altura do lago, é originária do Convento dos Congregados, tendo sido transposta para o centro do lago só em meados do século XIX. É também desta altura que a estátua muda, subitamente, de significado. Representando, primitivamente, o deus Saturno, símbolo da fartura e da abundância, passa a ser conhecido como o é hoje.

E é, de facto, como Gadanha que passa a ser conhecido e reconhecido por todos, simbolizando o efémero e fugacidade da vida, como o comprova a inscrição existente no pedestal.

Marca importante do período barroco em Estremoz, apresenta uma irónica e contraditória ambiguidade. O “Gadanha”, que representa a fugacidade e celeridade do Tempo, acaba por ser eterno, permanecendo na Memória colectiva da cidade.