Estremoz 90 anos de cidade

A 31 de agosto de 1926, através do Decreto do Governo n.º 12:227, a vila de Estremoz foi elevada à categoria de cidade.

Tratava-se de uma aspiração há muito ambicionada pelos estremocenses, pois já nos reinados de D. Afonso III, D. Sebastião, D. Pedro III e D. Pedro V tinha sido manifestada a pretensão da Câmara Municipal em elevar a nobre vila ao estatuto de cidade, sem que tal se concretizasse.

Ainda assim, o sonho foi-se mantendo, a vila foi crescendo e desenvolvendo e, por iniciativa do deputado pelo círculo de Évora, Dr. Santos Garcia, sem consultar a Câmara Municipal, foi apresentado no Parlamento um projeto de lei que elevava Estremoz à categoria de cidade, o qual seria publicado em 31/08/1926.

Para assinalar os 90 anos desta efeméride, o Município de Estremoz desenvolveu uma exposição, com o objetivo de dar a conhecer, através da imagem, a evolução que a cidade sentiu ao longo do século XX, até aos nossos dias, nas suas diversas áreas de atividade.

A exposição esteve patente ao público, no Posto de Turismo de Estremoz, entre 3 de setembro e 5 de outubro de 2016.

 

 

Até aos anos 30 do século XX, a cidade esteve condicionada ao interior da cintura amuralhada. As primeiras zonas de expansão extramuros localizavam-se a oeste e a sul (Bairro Operário e Bairro de Santo António), facto que se deve à construção das escolas primárias do Caldeiro e da Mata nos anos 1930/40.

Nos anos 40/50, a demolição da muralha a norte e a este, desde a Porta de Santa Catarina até à Porta de Santo António, originou a construção da Avenida 9 de Abril e dos bairros envolventes, abrindo a cidade à Estação Ferroviária.

Nos anos 50, altura em que o concelho de Estremoz era povoado por mais de 25.000 habitantes, a autarquia avançou com um plano de urbanização da zona norte, construindo a Escola Industrial e o bairro adjacente.

Apesar de a população começar a decrescer na década de 60, após a Revolução da Liberdade, entre os anos 70 e 90 a cidade conhece um crescimento exponencial, devido ao êxodo da população do núcleo intramuros e de algumas freguesias rurais, em busca de melhores condições de habitabilidade. Nascem assim os bairros da Cobata, Salsinha, Monte da Razão, Quinta das Oliveiras, Avenida Tomaz Alcaide, zona do Caldeiro e Parque Desportivo.

A partir dos anos 1990 dá-se início à expansão para norte e noroeste, com a construção dos bairros de Mendeiros, Monte Real e Casais de Santa Maria, zonas habitacionais de alta densidade e de construção em altura. A cidade cresce também ao longo da EN18, para sudoeste ao Gil e para nordeste junto às Quintinhas.

A construção da Zona Industrial, ainda durante aos anos 90, motivou a deslocação de muitos negócios e a criação de novos nesta zona da cidade, motivando também alguma expansão habitacional. Na mesma década, é construído o Centro de Saúde, no local onde se encontrava o Campo de Futebol, o que originou também a construção de um novo Estádio na sua atual localização. No início do século XXI é construído o Parque de Feiras e Exposições, deslocando para aquela localização as grandes feiras e os mercados semanais.

Atualmente, devido ao decréscimo da população (cerca de 14.000 habitantes no concelho), a cidade tende a parar de crescer. Ainda assim, existem planos para o desenvolvimento de um loteamento habitacional e parque urbano junto à Avenida Rainha Santa Isabel e ao novo Terminal Rodoviário.

No início dos anos 20 grande parte do património cultural edificado já se encontrava bastante degradado ou em ruína, como é o caso das fortificações, da Armaria Real, Conventos e algumas Igrejas.

Nos anos 50, a Igreja de Santo André é demolida, causando grande consternação a todo o povo estremocense, não só pela perda do monumental edifício, mas também porque este local de culto foi palco de muitos casamentos e batizados dos filhos de Estremoz.

A inversão no estado de conservação do nosso património ocorre precisamente nos anos 50 e 60, por iniciativa da Câmara Municipal, através da recuperação da zona do castelo. É também nesta altura que o Estado recupera parte das muralhas e várias Igrejas recebem trabalhos de recuperação que as valorizam e que lhes devolvem dignidade.

A Igreja do Convento dos Congregados, que foi iniciada em 1703, teve a sua fachada construída em 1967, mas a igreja apenas foi totalmente concluída em 1995, decorridos praticamente três séculos após o início da sua construção.

Nos últimos 90 anos destaca-se ainda a recuperação e reabilitação de vários edifícios culturais, como é o caso do Teatro Bernardim Ribeiro, do antigo Matadouro (adaptado a Centro Cultural em 2004/2005), da Praça de Toiros e do Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte (2013) e da Estalagem Páteo dos Solares (antiga Fábrica de Moagem Eng. José Rodrigues Tocha, remodelada em 2001).

O Teatro Bernardim Ribeiro, inaugurado em 1922, poucos anos antes da elevação de Estremoz a cidade, tem sido, desde então, palco de inúmeras iniciativas culturais (teatro, música, dança, ópera) e de exibição de grandes filmes, incluindo estreias mundiais.

Em 1926, a Biblioteca Popular e o Museu anexo (1890) tinham poucas visitas e esperavam apenas por público. As Sociedades Recreativas, também pouco mais faziam que bailes e algumas peças de Teatro. A partir dos anos 40, o Museu Municipal começa a adquirir peças e o seu desenvolvimento é desejado pela autarquia. Contudo, apenas nos anos 60 passa para o imóvel atual, recebendo visitas desde então e sendo um pilar da projeção cultural de Estremoz.

O Centro de Ciência Viva de Estremoz é fundado em 2005, com o apoio da Universidade de Évora e Câmara Municipal, no antigo Convento das Maltesas. É um recurso museológico de exceção, que tem valorizado a cultura científica local e nacional.

A partir dos anos 30 e 40, o turismo começa a ser observado como fonte potencial de receitas, pelo que em Estremoz passa a haver uma preocupação séria no desenvolvimento desta área. Criam-se várias pensões e unidades hoteleiras, mas é com a fundação da Pousada em 1970 que Estremoz entra no roteiro turístico internacional.

Em 1962 é fundada o Grupo de Amigos de Estremoz, funcionando o posto de turismo no edifício sede desta associação, no Largo da República, até ao ano 2008, altura em que são inauguradas as instalações da Casa de Estremoz, no local do antigo terminal Rodoviário, no Rossio Marquês de Pombal.

A valorização turística da cidade é hoje uma peça chave no desenvolvimento económico, vivendo a restauração, hotelaria, indústria vinícola/queijos/charcutaria e comércio local, em grande medida das dezenas de milhar de visitantes que anualmente escolhem Estremoz e os seus encantos como destino.

Nestes últimos 90 anos, a evolução do comércio e restauração foi constante e acompanhou, como não podia deixar de ser, as tendências da moda, tecnologia e os hábitos de consumo.

As mercearias, drogarias e até os pequenos prontos-a-vestir, (que tinham substituído os Alfaiates e Casas de Costuras com roupas feitas à medida e gosto de cada um) deram lugar às grandes superfícies comerciais. As pequenas lojas de venda de eletrodomésticos, que cresceram a partir dos anos 60/70 do século passado, cederam lugar a espaços de marcas nacionais, inseridos nas grandes superfícies comerciais.

Entretanto, nos anos 80 do século passado, começaram a aparecer as primeiras lojas de informática, nova tecnologia que revolucionou o mundo e a sociedade. Também estas sofreram forte revés motivado pela concorrência da oferta das grandes superfícies.

Hoje o comércio local está sob grande pressão, existindo porém espaços de grande tradição na mercearia, papelaria e drogaria, que vão sobrevivendo mais pela clientela fiel do que pela inovação.

Na restauração, passámos das Casas de Pasto, do petisco da Taberna, para espaços cada vez mais modernos e com grande aceitação nacional e internacional. Nos últimos 20 anos, a vocação turística de Estremoz passa muito pela gastronomia apresentada de modo moderno, mas com o sabor de sempre. Abriram restaurantes de exceção, que têm hoje fama internacional.

Estremoz é, desde 1926, uma cidade de serviços públicos, aos mais diversos níveis.

Inaugurada a 2 de maio de 1880, com a designação de Biblioteca Popular de Estremoz, a Biblioteca Municipal passou por diversos locais e designações até se fixar em 1926, no edifício onde hoje se encontra, o Convento dos Congregados.

A Delegação da Cruz Vermelha Portuguesa em Estremoz, teve a sua génese a 20 de julho de 1913, com o objetivo de apoiar as tropas portuguesas que estavam em preparação, no Regimento de Cavalaria n.º 3, para irem defender as colónias africanas portuguesas. Primeiro sediada no n.º 44 da Praça Luís de Camões, passou depois para a Rua da Cruz Vermelha e para as instalações do antigo Dispensário, na Avenida Condessa de Cuba, em 1994. Em 2008 funda, em conjunto com a Santa Casa da Misericórdia, a Clínica Social Rainha Santa Isabel, passando a ocupar instalações construídas em terreno anexo a esta valência. Atualmente tem como valências uma Unidade de Emergência que dispõe de 5 ambulâncias de socorro e uma Unidade de Apoio Social particularmente ativa que presta assistência aos mais desfavorecidos, acompanha idosos sós e promove ações culturais.

Desde 1881 e até 1993, funcionou no Convento das Maltezas o Hospital Civil da Misericórdia de Estremoz. Com o passar dos anos, a falta de espaço, a degradação, entre muitos outros problemas, faziam deste espaço um edifício inadequado, que já não oferecia condições de funcionamento para um serviço fundamental para a população: a saúde.  Num processo que se arrastava há vários anos, foi inaugurado a 23 de maio de 1993, o Centro de Saúde de Estremoz, ocupando os terrenos onde existia o Campo de Futebol, junto à Escola Secundária.

A 5 de outubro de 1960 inicia-se a demolição da Igreja Paroquial de Santo André, em pleno coração da cidade, para dar lugar ao atual Palácio da Justiça. A 8 de junho de 1969, dá-se a inauguração do Palácio da Justiça, pelo Presidente da República, Almirante Américo Tomaz. Estremoz ficou então mais pobre, no que diz respeito ao seu património religioso e este lugar passa a fazer parte apenas das memórias daqueles que viveram este acontecimento.

Em Estremoz, os Correios tiveram instalação própria apenas em 1815, junto à Rua das Meiras. Dali passaram para a Rua Vasco da Gama, mais tarde para a Porta Nova, seguindo-se para o atual edifício que pertencia à Direção Geral dos CTT, inaugurado a 22 de novembro de 1940. 

A presença da Guarda Nacional Republicana no concelho de Estremoz tem origem em 1910, logo após a implantação da República em Portugal. O Posto ficou no Convento dos Congregados, num pequeno anexo do piso térreo. Depois, nos anos 40/50, mudou-se o quartel para a Avenida 9 de Abril e daí, em 2014, para a atual localização na Estrada Nacional 18, na área das Quintinhas.

Quanto à Policia de Segurança Pública, chegou a Estremoz a 27 de junho de 1951. Ficou primeiramente instalada no Convento dos Congregados, donde saiu para as atuais instalações, na Rua 31 de Janeiro, em 2004.

O Exército português desde sempre teve um papel importante em Estremoz, pelo movimento de pessoas e mercadorias que origina, fazendo desta terra um polo de relevo na segurança nacional.

Desde 1875 que o Regimento de Cavalaria nº3 tem a sua sede em Estremoz. Em 1939 passa a unidade blindada e na Guerra do Ultramar mobiliza cerca de 42 mil homens, que combatem na Guiné, Angola e Moçambique. Também estiveram na Índia Portuguesa em 1959. Participa na Revolução da Liberdade a 25 de Abril de 1975. Tem participado em diversas operações internacionais, no âmbito da NATO e da ONU.

A cidade homenageou os mortos pátrios na Grande Guerra (1914-1918) através de um monumento. Em 1928 havia já um projeto da autoria de Francisco Lopes Nogueira, Ernesto Korrodi e Rui Gameiro que, contudo, não teve seguimento. O segundo projeto foi idealizado pelo escultor José Maria Sá Lemos e conclui-se a sua construção em 1941. Este foi erigido na face noroeste do Rossio Marquês de Pombal. Foi nos primeiros anos do século XXI deslocado para o centro da Rotunda dos Combatentes, para facilitar a circulação automóvel.

Quanto aos Bombeiros Voluntários de Estremoz, uma associação que fazia falta numa terra recentemente elevada a cidade, são fundados em 1933. Inicialmente tiveram sede na Rua Alexandre Herculano, em 1934 na Rua de São Pedro, em 1939 na atual Avenida 25 de Abril, no espaço que é hoje um Parque de Estacionamento frente a um espaço comercial. Nos anos 80 do século XX, a sudeste da cidade, junto do Campo da Feira, construiu-se o novo Quartel dos Bombeiros, dotando os voluntários de uma infraestrutura moderna e capaz de responder aos desafios da prevenção, treino dos efetivos e extinção de incêndios.

O mundo urbano e o rural encontram-se nas feiras e mercados. Do campo trazem os preciosos produtos hortícolas, agroalimentares e pecuários, sendo estes vendidos nos mercados ao ar livre. A cidade proporciona ao campo a aquisição das máquinas de trabalho, roupas e produtos diversos que não existem na economia rural do concelho. É assim um encontro onde ambas as partes ganham.

Em Estremoz, desde tempos muito recuados que se realizam as Feiras de Maio (2ª semana), de Santiago (3º fim de semana de julho) e de Santo André (29 a 30 de novembro.). Inicialmente realizadas no espaço que é hoje o Bairro do Campo da Feira, realizam-se atualmente no espaço dos mercados semanais, junto ao Parque de Feiras e Exposições, com grande afluência de comerciantes e compradores. Também os mercados semanais de levante são um marco incontornável da economia do concelho, na medida em que atraem centenas de pessoas a Estremoz todos os sábados, para adquirir roupa e quinquilharias a preços baixos.

Por outro lado, foram ganhando notoriedade as novas Feiras organizadas pela Câmara Municipal. Primeiro, houve uma experiência de grande sucesso entre 1925 e 1927, com uma repetição efémera em 1955, com a realização de uma Feira com produtos locais da agricultura, comércio e indústria local. Depois da Revolução da Liberdade, o desejo de promoção e desenvolvimento da cidade desembocou na explanação da Feira de Artesanato (início em 1983) e da FIAPE (início em 1987, juntando a Feira de Artesanato e a Feira de Agricultura). A FIAPE, que até 2000 se realizou no Rossio Marquês de Pombal e desde 2001 decorre no Parque de Feiras, é hoje um grande certame nacional e que marca o calendário local como nenhum outro evento.

Também notoriedade foi ganhando o tradicional Mercado de Sábado, ao qual se uniu, no início do século XXI, um Mercado de Antiguidades e Velharias que é hoje reconhecido como um dos melhores de Portugal e ao qual acorrem inclusivamente muitos espanhóis. Neste secular Mercado de Sábado, que até à década de 1960 funcionava junto à Igreja de Santo André e foi, após a sua demolição, transferido para o Rossio Marquês de Pombal, encontra-se o melhor que é produzido no concelho em termos de agricultura e indústria de enchidos e queijos, sendo frequentado semanalmente por milhares de visitantes.

Igualmente importante na economia local, é o Mercado Abastecedor, que decorre semanalmente, à sexta-feira, num pavilhão que foi construído em 1987 no espaço tardoz da Câmara Municipal. Este pavilhão foi concebido especialmente para acolher a exposição pecuária da FIAPE, quando este certame decorria no Rossio Marquês de Pombal.

O Pavilhão do Mercado Abastecedor foi também o espaço de realização do certame gastronómico “Cozinha dos Ganhões”, desde a sua segunda edição, em 1994, até à sua transferência para os pavilhões do Parque de Feiras e Exposições, em 2003. A Cozinha dos Ganhões é hoje uma referência regional como espaço de promoção dos produtos turísticos do concelho, em especial da gastronomia, dos vinhos e do artesanato, sendo complementada, desde 2013, pela feira “Estremoz Caça e Pesca”.

No espaço que hoje recebe o nome de Esplanada dos Congregados, junto ao edifício da Câmara Municipal, existiu durante muitos anos, até à sua demolição em 2008, uma Praça do Peixe, que foi um ano depois substituída por um Edifício Comercial, que hoje em dia alberga lojas de artesanato, produtos regionais e instituições de carácter social. 

A indústria dos Mármores foi, em tempos, um dos pilares fundamentais da economia da denominada Zona dos Mármores, onde Estremoz se inclui. A sua dimensão territorial, importância económica, intensidade de exploração, saberes técnicos e científicos, fizeram com que esta atividade tivesse um protagonismo impossível de ignorar, não apenas na região, mas um pouco por todo o país e nos quatro cantos do mundo.

Até à chegada de empresas como a Sociedade dos Mármores de Portugal ou da Solubema – Sociedade Luso Belga de Mármores, a extração do mármore desenvolvia-se de modo muito artesanal. As ferramentas e técnicas usadas eram rudimentares e o trabalho era realizado com a força de braços ou animais, por meio de cunhas de madeiras, picaretas, alavancas, macacos, martelos e outras ferramentas manuais.

A evolução desta indústria a partir da década de 1960, que passou a ser vista como um negócio rentável e muitas vezes de lucro fácil, levou à abertura de muitas pedreiras em Estremoz.

Estremoz foi, no Alentejo, a primeira terra onde se serrou mármore. Uma das primeiras pedreiras/serrações localizava-se na Cerca de Santo António. Mais tarde, foi criada outra no Monte de Santo António, junto ao caminho-de-ferro, pertencente à firma Pardal Monteiro, Lda.

Com exportações para todo o mundo, o sector dos mármores alentejanos atravessa atualmente dias de crise. Para além de ter sido afetado pela guerra do Iraque, com o cancelamento de encomendas para um dos principais mercados (o Médio Oriente), o sector dos mármores vive atualmente a crise financeira e económica que o país, a Europa e o mundo atravessam.

Esta indústria é hoje marcada pela existência de inúmeras instalações abandonadas, apesar de existirem ainda algumas empresas em laboração, sendo as pedreiras muito procuradas por turistas, por se tratar de uma atividade com a qual não se consegue ter contacto frequentemente e pela beleza e imponência das mesmas.

Para além dos mármores, ao longo do século XX desenvolveram-se na cidade outras atividades económicas, com destaque para a Fábrica de Conservas Cordeiro (anos 30), as indústrias agroalimentares (com destaque para a produção de enchido e queijos), a indústria de curtumes, a produção de azeites e, mais recentemente, a produção de vinhos, cuja qualidade é reconhecida internacionalmente, existindo atualmente 20 adegas em atividade.

A produção vitivinícola é hoje um dos sectores de atividade com maior peso na economia local, contribuindo fortemente para o desenvolvimento do concelho e para a empregabilidade da sua população, sendo inclusivamente uma das atividades que mais alterações tem conferido à paisagem rural, antigamente dedicada exclusivamente à produção cerealífera e às pastagens.

Para permitir o desenvolvimento de outras indústrias, entre 1994 e 1998, começaram a ser construídos os primeiros lotes da Zona Industrial de Estremoz. Localizada fora da área urbana da cidade, num terreno devidamente infraestruturado, esta área empresarial é, cada vez mais, um importante centro de negócios local.

Atualmente acolhe algumas PME que operam em setores diversificados, tais como reparação de veículos automóveis, serralharia, produção alimentar, carpintaria, construção civil, produção de enchidos, venda e montagem de equipamentos elétricos, distribuição, entre muitos outros.

Os lotes da Zona Industrial de Estremoz encontram-se praticamente todos ocupados, pelo que, a pensar no desenvolvimento local e com o objetivo de incentivar o espírito empreendedor, alargando a oferta em termos de área disponível para localização empresarial, está a ser construída no concelho, a Zona Industrial dos Arcos, junto a esta freguesia rural.

No artesanato, destacam-se as peças produzidas com os tradicionais barros de Estremoz, que ganharam fama mundial desde o século XVI. Tal fama e prestígio desenvolveu-se sobretudo em volta de uma pequena peça de olaria – o pucarinho, recipiente para beber água e peça bastante apreciada, pela frescura e pelo sabor que proporcionava.

No entanto, no século XIX a olaria de Estremoz perde a sua fama e começa a ser uma loiça de uso comum. Surge então a Olaria Alfacinha, que viria marcar a história desta cerâmica local e que laborou até 1995. Para além da Olaria Alfacinha, não podemos esquecer o contributo da Olaria "Cerâmica Estremocense" de Emídio Viana, e em parte também da Olaria Regional de Cassiano, José Ourelo e depois de Mário Lagartinho. Atualmente já não existe nenhuma olaria em funcionamento. O último oleiro estremocense foi o Mestre Mário Lagartinho.

A barrística estremocense é hoje conhecida pelos tradicionais “Bonecos de barro de Estremoz”, que existem também desde o século XVI, resistiram ao passar do tempo e, nos últimos 90 anos, conheceram uma notoriedade e um reconhecimento nacional e internacional, ao ponto da sua produção ser atualmente candidata à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO). 

Na década de 1920 o ensino estava essencialmente nas mãos de Colégios particulares e Mestras que preparavam meninos e meninas para os exames que lhes davam equivalência ao ensino oficial. Apenas a Escola Primária, com separação de sexos, era assegurada pelo Estado.

Entretanto surgiram em Portugal as Escolas de Artes e Ofícios. Estas eram estabelecimentos que, por todo o país, procuraram resgatar muitas profissões tradicionais ameaçadas pela crescente modernização. Em Estremoz, veio também alargar o sistema público de ensino local. O estabelecimento abriu em Estremoz em 1924. Funcionava no primeiro andar do imóvel do atual Museu Municipal.

Em 1930 passou a Escola Industrial e e recebeu a designação de Mestre António Augusto Gonçalves. A instituição foi então transferida para a Rua da Pena nº11.

Ainda na década de 30 abre no Palácio Tocha o Colégio de San José, uma escola para espanhóis fugidos da guerra civil.

Em 1948, João Falcato compra o colégio da família Grincho e renomeia-o como Colégio Estremocense, uma escola masculina. Nesta época abre, na Sociedade dos Artistas, o Colégio Infanta D.ª Maria para ensino feminino.

No ano seguinte, a Escola Industrial muda novamente de instalações, passando para a antiga Armaria de D. João V, hoje Pousada. Aqui ficou até 1963, ano em que passa para novas instalações (atual Escola Secundária).

No ano de 1953, Adriano Mota adquire o Colégio Infanta D.ª Maria e em 1958 o Colégio Estremocense. Une-os em 1957, quando transfere tudo para o Palácio D. Roberto Reynolds. O novo espaço de ensino passa a chamar-se Colégio de São Joaquim. Em 1958, constrói um imóvel de raiz para albergar o colégio, no que é hoje a Escola Sebastião da Gama.

Entretanto a cidade exigia um estabelecimento liceal oficial. O Estado português compra então o Colégio de São Joaquim, fundando aí um núcleo do Liceu Nacional de Évora no ano letivo de 1971/72. Entre 1973/75 a Escola Industrial e Comercial passou, na sequência das reformas de Veiga Simão, a designar-se Escola Secundária Polivalente de Estremoz. Para as instalações da Escola Industrial é transferido o antigo Liceu. Por sua vez, o Ensino Preparatório passa em definitivo para as antigas instalações do Colégio de São Joaquim.

O ensino preparatório e secundário vão-se universalizando, mas as instalações não acompanham as exigências da comunidade educativa. Para fazer face às novas exigências, realizam-se obras de vulto que são inauguradas em 2010 na Escola Rainha Santa Isabel e em 2011 na Escola Sebastião da Gama. Também as Escolas do 1º Ciclo receberam obras, estas por intermédio da Câmara Municipal de Estremoz, em 2004 e 2011.

Hoje em dia o parque escolar de Estremoz tem condições ímpares para o ensino, sendo uma referência na região e recebendo alunos do concelho de Estremoz e dos concelhos limítrofes.

No domínio da ação social, a partir do último quartel do século XX foram sendo criados vários equipamentos de apoio aos idosos e aos mais carenciados, existindo hoje uma boa oferta ao nível das estruturas do apoio social: o Lar de Santa Cruz, no Convento dos Agostinhos, direcionado para utentes do sexo feminino; o Centro Social e Paroquial de Santo André, com diversas valências de apoio a idosos e infância; o Recolhimento de Nossa Senhora dos Mártires; o Solar do Poço Coberto, instituição particular de solidariedade social; a CERCIESTREMOZ, que desenvolve a sua atividade com crianças, jovens e adultos inadaptados; e mais recentemente, a Residência Sénior de S. Nuno de Santa Maria (Liga dos Combatentes) e a Residência Sénior da Santa Casa da Misericórdia de Estremoz.

O Futebol alcançou uma grande popularidade no distrito de Évora. Mais do que uma prática desportiva, a assistência aos jogos converteu-se entre todas as camadas sociais num fenómeno de massas, de tal modo que nos anos 30, esta modalidade, que anteriormente não passava de uma mera atividade desportiva, tornara-se no desporto-rei, mobilizando muitas pessoas, principalmente das classes populares.

Em Estremoz, não tardou a organizarem-se equipas, que entretinham aos domingos os primeiros apaixonados por esta modalidade. O futebol começou por se praticar no Rossio, com o Estremoz Foot-Ball Club "Os Encarnados" (atual Clube de Futebol de Estremoz), criado por um grupo de jovens. Por essa altura, já tinham terminado a sua atividade as primeiras duas equipas que se dedicaram à prática do futebol em Estremoz: o Sport Lisboa e Estremoz e o Luso Sporting Clube. Os primeiros trajavam de encarnado "à Benfica", e os segundos vestiam-se de preto e haviam de ser conhecidos mais tarde pela designação de "Os Pretos".

João Batista Ramos tomou a iniciativa de fazer reviver o movimento desportivo da terra e lança-se na liderança do Clube de Futebol de Estremoz. Nascia assim, a 15 de novembro de 1925 em Estremoz, aquele que é hoje o mais representativo clube do concelho.

Para além do Futebol, eram praticadas outras modalidades: Basquetebol, Atletismo, Andebol, Ciclismo, Pingue-Pongue, Hóquei e, mais tarde, a Natação.

A 16 de julho de 1944 foi inaugurada oficialmente a Esplanada Parque, de cujo programa constou um encontro de hóquei em patins entre as equipas Sport Lisboa e Benfica e o Clube Atlético Campo de Ourique e várias demonstrações de patinagem artística.

Até aqui, os jogos de futebol eram praticados no antigo Campo de Futebol de Estremoz, que se localizava onde hoje está o Centro de Saúde. Só em 1990 foi construído o Estádio Municipal Dr. José Gomes Palmeiro da Costa, proporcionando assim melhores condições para a prática do futebol, entre outras modalidades desportivas. A 12 de janeiro de 2009 foram inaugurados dois novos campos de piso sintético, bem como o relvado sintético no campo de futebol de 11. O primeiro treino nestes dois tapetes verdes contou com a presença dos juvenis e infantis do CF Estremoz e do REC (Rugby Estremoz Clube).

Para além disso, foi criado o Parque Desportivo Municipal Dr. Luís Pascoal Rosado, composto pelo Pavilhão Desportivo Municipal, inaugurado a 12 de agosto de 1967, com um ringue de patinagem, e remodelado no final da década de 1980. As Piscinas Municipais (Piscina coberta e Piscinas Exteriores) foram construídas em 1989 e mais tarde, no ano 2001 os Campos de Ténis.

A cidade conta atualmente com várias coletividades desportivas, que se dedicam à prática de várias modalidades, tais como o futebol, hóquei em patins, natação, BTT, cicloturismo, atletismo, basquetebol, columbofilia, pesca desportiva, orientação, malha, entre outros.

Merece destaque, pela sua importância no desenvolvimento desportivo da cidade, graças ao número de atletas que sempre teve, o Grupo Desportivo de Santiago que tem a sua sede, desde a data da sua fundação, 17/06/1980, na Rua Magalhães de Lima e que desenvolveu a sua atividade através da prática das modalidades de futebol, andebol, ciclismo, pesca, natação e malha.

Os serviços básicos foram talvez uma das áreas em que se notou uma maior evolução durante os últimos 90 anos, apesar de a maior parte destas infraestruturas não serem visíveis, por estarem enterradas no subsolo.

Os primeiros sistemas de saneamento executados em Estremoz tinham como objetivo proteger o espaço urbano dos caudais pluviais. O transporte dos resíduos domésticos das áreas residenciais para outros locais não era uma preocupação da altura. Esperava-se que os dias de chuva fizessem esse trabalho e, por sua vez, a lavagem das ruas, as quais se encontravam sistematicamente imundas com os dejetos que muitas das vezes eram atirados pelas janelas das casas a hora pré-determinada, com a conhecida expressão “água vai!”.

Assim, e em virtude do crescimento populacional que se foi verificando na cidade de Estremoz, foi desenvolvido, em 1937, um projeto que veio a solucionar em parte o problema do saneamento da cidade e a modernização do coletor de esgotos.

Mais tarde, no final dos anos 80 do séc. XX, foi construído junto à Quinta de São João, o primeiro sistema de tratamento de águas residuais (ETAR), para receber os efluentes da cidade de Estremoz.

Em 2015 iniciaram-se obras de remodelação e, no início de 2016, a velha ETAR da cidade, foi substituída por uma estação cujo processo de tratamento se designa por lamas ativadas. A nova estação foi inaugurada a 13 de abril de 2016, pelo Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, e serve uma população de cerca de 9.000 habitantes.

Há cerca de 90 anos, em Estremoz, o abastecimento de água era feito através de diversas fontes e depósitos de água que se encontravam dispersos pela povoação, onde os moradores iam buscar este bem essencial para consumo pessoal, ou comprando aos aguadeiros.

As principais nascentes que abasteciam a povoação eram a do Rossio e a nascente que existia na Quinta da família Reynolds.

Para fazer face ao problema da falta de água e de forma a melhorar as condições de acesso à mesma, a vereação camarária mandou executar em 1925, um projeto de distribuição de água à povoação, principalmente ao Bairro do Castelo. Esse projeto foi conhecido, mas no entanto não chegou a sair do papel, retomando-se apenas no ano de 1938.

Em 1945 estabelece-se um contrato com a SUFIL (Sociedade Urbanização, Fomento e Indústria Lda.), que fica com a concessão sobre o abastecimento de água à cidade de Estremoz. Em outubro de 1949 foi aprovado o Regulamento dos Serviços de Abastecimento de água, e só a 3 de agosto de 1952, assistimos à inauguração oficial da obra de abastecimento de água na cidade. Foi assim construído o Depósito do Largo do Castelo, reforçado pelo Depósito da Calçada da Frandina.

O abastecimento de água à cidade é garantido, desde 1945, pelas Captações do Álamo, posteriormente reforçadas pelas captações da Chocas (1980/81), sendo a água armazenada nos Depósitos do Picadeiro, localizados no Baluarte de Santa Isabel.

Atualmente, são ainda utilizados para abastecimento de água os furos artesianos localizados no Regimento de Cavalaria n.º 3 e no Estádio Municipal, bem como a nascente da pedreira da Cerca de Santo António. Em 2002 são construídos os depósitos junto à Zona Industrial e são efetuadas melhorias na rede de abastecimento.

A autarquia aderiu, em 2009, ao sistema multimunicipal Águas do Centro Alentejo, mas esta empresa não chegou a efetuar investimentos na rede de abastecimento e saneamento do concelho, pois a Câmara Municipal acabaria por abandonar o sistema e assegurar o fornecimento a partir de 2010.

Até ao final do século XX, os resíduos sólidos urbanos produzidos na cidade eram encaminhados para lixeiras a céu aberto (Barrocas-Arcos e Barbosa-Santo Estêvão), depositados sobre o solo, onde eram queimados para redução do seu volume, sem qualquer controle ambiental e com graves consequências ao nível da saúde pública. O único material a ser recolhido seletivamente pelo Município de Estremoz, correspondia às embalagens de vidro (vidrões). A Câmara Municipal de Estremoz iniciou a recolha seletiva do vidro no ano de 1986 (há precisamente 30 anos), com a compra dos seus primeiros 10 vidrões.

Em 2002, as lixeiras do concelho são desativadas e seladas. Atualmente as cerca de 500 toneladas de resíduos urbanos produzidos por mês no concelho de Estremoz, são encaminhados para Central de Transferência de Borba da Gesamb - Gestão Ambiental e de Resíduos, e, dali, para o Aterro Intermunicipal do Alentejo Central.

Em 2003, o Município de Estremoz, à semelhança dos restantes municípios que integram a Gesamb, implementou um sistema de Ecopontos, estrategicamente distribuídos pela cidade e pelas freguesias rurais, tendo sido construído um Ecocentro de recolha seletiva, junto ao Estádio Municipal.

Nos anos 20 do século passado a vasta maioria das ruas não estava calcetada, pelo que devia ser um verdadeiro suplício caminhar e circular por entre poças de água e lama quando chovia, bem como por ambiente impregnado de pó durante o tempo seco. A partir desta década assistimos à pavimentação total da cidade e a uma tentativa de alcatroamento das principais artérias. O reforço destas pavimentações aconteceu na década de 1990 e durante os últimos 16 anos, dotando a cidade e o concelho de uma excelente rede de acessibilidades.

A pavimentação da placa central do Rossio Marquês de Pombal, uma obra desde sempre ansiada pelos estremocenses e com vários projetos desde meados do século XX, apenas acabaria por ser concretizada entre 2003/2004.

Ainda em matéria de acessibilidades rodoviárias, o sublanço da autoestrada A6, entre Évora e Estremoz, numa extensão de 46 quilómetros, foi inaugurado no dia 7 de maio de 1998, pelo então Primeiro-Ministro, António Guterres. Com a conclusão deste troço, viajar entre Estremoz e Lisboa, tornou-se mais rápido e mais cómodo. Os 33 quilómetros correspondentes aos sublanços Estremoz-Borba-Elvas, que faltavam para concluir a ligação por autoestrada Lisboa-Madrid, foram inaugurados no dia 3 de Setembro de 1999, pelo Presidente da República, Jorge Sampaio e pelos chefes dos governos de Portugal e Espanha, António Guterres e José Maria Aznar.

Em Estremoz, o comboio só chegou a 1 de agosto de 1905. Antes disso, a então vila era servida a partir da estação ferroviária do Ameixial, um interface da Linha de Évora. Originalmente denominada de "Extremoz" foi inaugurada a 21 de dezembro de 1873, mudando de designação para Ameixial quando se inaugurou o troço até Vila Viçosa em 1905, que possibilitou a construção de uma estação mais perto da vila de Estremoz.

Em 23 de agosto de 1925, a estação de Estremoz ganha um novo ramal - o Ramal de Portalegre - que viria a ser concluído apenas em 21 de janeiro de 1949.

Em 1978, o troço entre Évora e Estremoz tinha quatro circulações em cada sentido. De Estremoz a Vila Viçosa existiam os chamados comboios curtos.

O troço da Linha de Évora entre as cidades de Évora e de Estremoz foi encerrado ao tráfego de passageiros a 1 janeiro de 1990. Contudo a linha não foi desativada, mantendo as condições de operacionalidade em toda a sua extensão, sendo utilizada, até 2009, para o tráfego de mercadorias.

O interesse da Câmara Municipal de Estremoz, na requalificação e urbanização dos terrenos do domínio público ferroviário na envolvente da estação, resultou na assinatura de um protocolo com a REFER, aprovado em reunião de câmara a 31 de agosto de 2011, que implicou a desativação da estação de Estremoz, nomeadamente, a zona de carga e descarga de mercadorias.

Os carris foram retirados, os vestígios da linha férrea desapareceram e, a 21 de abril de 2012, no seu lugar, nasceu a Avenida Rainha Santa Isabel, que faz a ligação rodoviária entre a EN 18 e a Avenida de Santo António, e que é hoje um importante eixo de circulação rodoviária, que liga o centro da cidade à periferia norte, para além de centro de recreio, por possuir uma ciclovia e amplos passeios pedonais.

 Em Maio de 1930 já havia carreiras de autocarro a fazer o trajeto entre Estremoz e Portalegre. Nesta altura, as camionetas esperavam-se em frente à antiga Igreja de Santo André (atual Palácio da Justiça) e a empresa responsável pelas carreiras era a "Firma Panaças".

Em 1951, a Empresa João Cândido Belo & Cª Lda mandou construir, junto ao Rossio Marquês de Pombal e ao edifício da Câmara Municipal de Estremoz, a Estação de Camionagem, inaugurada a 1 de abril desse ano.

Em 1990, com o encerramento do troço da linha férrea entre as cidades de Évora e de Estremoz, a estação de camionagem é transferida para a Estação Ferroviária de Estremoz.

No dia 21 de abril de 2012 foi inaugurada a nova Central de Camionagem, que veio garantir melhores condições de acolhimento dos utentes dos transportes públicos, principalmente para os alunos do ensino básico e secundário que, diariamente, se deslocam para as freguesias rurais do concelho de Estremoz.

No que diz respeito à energia, em 1916 João Francisco Carreço Simões e Máximo José Rocha criam, à entrada da chamada Porta dos Reguengos a “Fábrica de Moagem e Electricidade” que, além de ser a primeira moagem elétrica do concelho, abasteceu a então vila  de energia elétrica, com inauguração a 2 de Setembro de 1917.

O fornecimento generalizado de luz elétrica a todo o concelho de Estremoz deu-se mais tardiamente, mais propriamente na segunda metade séc. XX. Antes disso, os estremocenses usavam para sua iluminação, candeias de azeite, lanternas e candeeiros a petróleo. À luz do petróleo jantava-se, aprendia-se a ler e a escrever, contavam-se histórias e histórias de família, fazia-se malha ou costura, ou a lide da casa...

A iluminação pública era feita com candeeiros a petróleo, colocados nas esquinas das ruas. Eram feitos de lata e tinham uma pega para transporte. As lanternas redondas eram utilizadas normalmente nas charretes. O lampião, devido às suas dimensões, era fixado nos tetos das habitações ou numa parede.

Hoje em dia a cidade é servida por uma moderna rede de distribuição de energia elétrica, abastecida por linhas de muito alta tensão instaladas nos últimos anos. Por outro lado, é cada vez mais frequente a utilização de energias renováveis, em especial a energia solar, através da instalação de painéis fotovoltaicos em habitações particulares e em edifícios e espaços públicos ou de instituições.

A noite, tal como hoje a conhecemos, é uma invenção do século XX.

Em Estremoz, nos anos 60 do século passado, a forma mais fácil de um rapaz e uma rapariga se encontrarem sem "dar nas vistas" era "dar um pezinho de dança" nos bailes das Sociedades. Com maior ou menor jogo de cintura, a noite pedia dança e frenesim.

A população mais abastada da cidade costumava frequentar os bailes do Círculo Estremocense (Palácio Marqueses da Praia e Monforte). A classe média frequentava a Sociedade dos Artistas. E quase todos iam às restantes Sociedades: Luzitana, Bombeiros, União, Porta Nova e o Orfeão Tomás Alcaide. Havia ainda bailes no chamado Jardim de Inverno, no Teatro Bernardim Ribeiro, organizados pelo Orfeão.

Os bailes eram abrilhantados por vários conjuntos musicais da época, como por exemplo: Caravana Jazz, Marilyng, Tiro-Liro, Jazz Cane, entre muitos outros...

Para além disso, era também nas Sociedades que muitas pessoas viam televisão. Esses primeiros tempos de fascínio e curiosidade, dado que eram muito poucos os que possuíam o aparelho, levavam as pessoas a reunirem-se nas Sociedades ou em frente às lojas, ou ainda em casa de alguém mais abastado, à volta do televisor. Para além de entretenimento a televisão foi ainda um objeto de enorme socialização entre as pessoas, ao contrário do que se passa nos dias de hoje.

A partir dos anos 70, os aparelhos começaram a ser acessíveis à maioria das pessoas. Passaram-se a ver mais horas de programação, os hábitos mudaram, o convívio passou a ser mais em frente ao aparelho de TV, deixando de parte outras formas mais saudáveis de confraternização.

Nos últimos anos, os estremocenses acompanharam o resto do mundo e a globalização que se faz sentir, procurando na Internet e nas redes sociais, formas virtuais de sociabilização.

O Café Alentejano e o Café Águias D'Ouro são raros sobreviventes dos antigos cafés de tertúlia de Estremoz de finais do século XIX, inícios do século XX. Eram o centro de toda a vida da cidade, local de encontro e de convívio. Palco de animadas tertúlias e discussões por vezes intensas (onde possivelmente copos e cadeiras se cruzaram pelos ares), mas eram também lugares de diversão, de circulação de notícias, de encontros amorosos, de encontros de homens de negócios e amantes do bilhar, damas, xadrez, cartas e dominó. Referências para pontos de encontro, locais onde se conversa sobre cultura, política, artes, e onde o conhecimento circula e se expande.

Para além dos cafés, os estremocenses tinham ao seu dispor uma série de sociedades recreativas, que eram frequentadas em função do gosto pessoal de cada um e que se dedicavam, para além do ensino da música, à realização de bailes e de jogos de mesa e tabuleiro. As principais sociedades recreativas eram:

 

  • Sociedade Filarmónica Luzitana - Fundada em 25 de agosto de 1840;
  • Círculo Estremocense - foi passado alvará autorizando a sua fundação, por D. Pedro V em 17 de agosto de 1859;
  • Sociedade dos Artistas Estremocense - fundada em outubro de 1860;
  • Sociedade Recreativa Popular Estremocense (Porta Nova) - fundada em 25 de julho de 1881;
  • Sociedade Filarmónica Artística Estremocense (Banda União) - passou a ser Banda Municipal em outubro de 1926, por proposta do Presidente da Câmara Major Luís Sampaio;
  • Orfeão de Estremoz "Tomaz Alcaide" - fundado a 16 de março de 1930. A sua primeira apresentação foi a 5 de junho de 1930.

 

 

Destas seis sociedades, apenas o Círculo Estremocense não mantém a sua atividade nos dias de hoje.