Atividades económicas

O concelho de Estremoz possui um carácter predominantemente rural e, por essa razão, durante muitos anos a principal atividade económica que se desenvolveu no seu território foi a agricultura.

As culturas arvenses de sequeiro, os montados de sobro e de azinho, as hortas, os pomares e os olivais dominam a paisagem do concelho, aqui e ali pontuada por rebanhos de ovelhas, manadas de vacas ou varas de porcos alentejanos. Foi devido a esta diversidade agrícola e pecuária que se desenvolveram saberes e sabores, que foram sendo transmitidos ao longo de várias gerações, criando uma excecional gastronomia à base de carne de porco e de borrego, bem como uma grande variedade de produtos endógenos de qualidade, como é o caso dos enchidos, os queijos de ovelha, os azeites e a doçaria tradicional.

Esta diversidade de produtos esteve na origem do secular Mercado Tradicional de Estremoz, que se realiza todos os sábados de manhã, no Rossio Marquês de Pombal. Ponto de encontro entre o campo e a cidade, o Mercado de Estremoz é conhecido internacionalmente, a ele acorrendo milhares de visitantes da região, da área metropolitana de Lisboa e da vizinha Extremadura espanhola. Neste Mercado convivem produtos hortícolas, frutas, animais de capoeira, enchidos, queijos, artesanato e, mais recentemente, as antiguidades e velharias.

Devido às características do solo calcário e argiloso e à presença de um microclima muito favorável, nos últimos vinte anos a paisagem rural do concelho tem vindo a alterar-se significativamente, através da substituição das culturas arvenses pela vitivinicultura. A região de Estremoz, com um clima e solo bastante diferenciados da sua envolvente, possui as condições ideais para a plantação de um conjunto diversificado de castas, que estão na origem dos vinhos de Estremoz, de qualidade mundialmente reconhecida. A produção de vinhos é hoje um dos sectores com maior peso económico no concelho, existindo no seu território 20 adegas, que produzem um vasto leque de marcas de vinho tinto, branco e rosé, e que empregam centenas de trabalhadores.

O mármore e as pedreiras onde é efetuada a sua extração são também uma marca distintiva de Estremoz. Este recurso, utilizado desde a época do Império Romano, atingiu o seu apogeu em Estremoz durante o período barroco, fazendo parte da construção de palacetes, monumentos religiosos, estátuas, fontes e na maior parte dos edifícios públicos e privados da cidade. A pedra mármore é uma presença dominante no espaço urbano, pois para além da sua utilização na construção e decoração de edifícios, é também o material de excelência para a construção das tradicionais calçadas à portuguesa nesta região. O mármore branco de Estremoz é mundialmente conhecido pela sua qualidade e é exportado para inúmeros países, em especial para os países do Médio Oriente e Marrocos.

Também a partir do solo se extrai outros dos materiais que contribui para o reconhecimento internacional de Estremoz: o barro. De barro eram feitos os tradicionais “Pucarinhos de Estremoz”, recipientes para beber água, famosos nas cortes europeias do século XVII e muito apreciados pela frescura e pelo sabor que proporcionavam. Desta importância deixou testemunho o pintor espanhol Diego Velázquez, na sua famosa pintura “Las Meninas”, na qual a infanta Margarida Teresa segura na mão um pucarinho de Estremoz. Desde há mais de três séculos que a mão criativa das gentes estremocenses deu ao barro novas formas: os tradicionais Bonecos de Estremoz, nome pelo qual é conhecida a Produção de Figurado em Barro de Estremoz e que é candidata à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade. A produção artesanal de barrística é também uma das principais atividades económicas do concelho, contribuindo fortemente para a sua promoção turística.

O concelho possui três áreas de acolhimento empresarial. Uma localizada em Estremoz, de dimensão média, sem possibilidade de expansão e praticamente lotada; uma área de pequena dimensão na freguesia de Veiros, cerca de 15 km a norte de Estremoz; e uma área de grande dimensão, na freguesia de Arcos, 7 km a leste da cidade. A Zona Industrial de Arcos destina-se a receber empresas de pequena, média e grande dimensão, possuindo 84 lotes, com áreas que variam entre os 1.455 e os 21.688 m2, numa área total edificável de 328.834 m2. Esta área de acolhimento empresarial possui uma localização privilegiada, com excelentes acessibilidades, junto a EN4 e ao nó de ligação à A6 (autoestrada Lisboa/Madrid).

A celebração do mundo agrícola, dos produtos endógenos, da gastronomia e das atividades económicas de Estremoz acontece anualmente na FIAPE – Feira Internacional de Agro-Pecuária de Estremoz, que decorre em finais do mês de abril, e que é um dos mais importantes certames agrícolas da região Alentejo, com mais de 400 expositores e milhares de visitantes. Em paralelo, decorre a Feira de Artesanato de Estremoz, com mais de uma centena de artesãos, considerada por muitos o melhor certame do sector a sul do Tejo.

Ao nível dos eventos temáticos, com contributo para a dinamização da economia local, têm vindo a ganhar destaque no concelho a Cozinha dos Ganhões, certame de promoção turística baseado nas temáticas da gastronomia, vinhos, caça e pesca, e que acontece anualmente em finais de novembro, princípio de dezembro, bem como o Festival da Rainha, uma feira medieval que decorre todos os anos em meados de maio, no núcleo antigo da cidade.

A qualidade dos produtos locais, a existência de vários restaurantes de excelência comprovada, a abertura de várias unidades hoteleiras, o mercado tradicional, o enoturismo, a riqueza do património arquitetónico e histórico de Estremoz, Evoramonte e Veiros, a realização de eventos, os Bonecos de barro e a simpatia das gentes de Estremoz têm contribuído para o desenvolvimento do sector do Turismo no concelho, que é anualmente visitado por milhares de pessoas de todo o Mundo.